“Mas sabe qual é a diferença? Eu estou aqui aos pedaços, deixado de lado como aquele livro que você começou a ler mas não gostou e hoje mal sabe onde está, perdido no tempo. Ao contrário de você, eu não superei. Mesmo dizendo aos ventos e a todos que me perguntam como anda minha vida depois de ti que eu nunca fui tão feliz como agora, eu não superei. Eu ainda não consigo ouvir a nossa música sem sentir um leve arrepio, sem ganhar um friozinho sequer na barriga. Leio nossas cartas, nossos bilhetes mandados durante aquelas malditas aulas de química, os rabiscos que você fez nas folhas do meu caderno de anos atrás. Posso jurar que às vezes sinto o calor do seu corpo novamente. A diferença é que eu ainda te mantenho viva dentro de mim, me dando direito de imaginar vez ou outra que possamos voltar a ser como fomos um dia, embora me doa admitir que eu sei que acabamos de vez. Eu sei que nunca mais contaremos segredos deitados na rede de sua casa em uma madrugada de sábado, sussurrando para não acordarmos seus pais, contendo as crises de riso. Eu sei que continuaremos nessa situação constrangedora de ex-amantes pro resto de nossas vidas, o que impossibilitará qualquer relação agradável entre nós. Passados anos e anos, ainda seremos os mesmos apaixonados de antigamente. Talvez por outras pessoas, por alguém com aqueles gostos que tanto odiamos em nós mesmos. Mas a diferença é que eu ainda me pego pensando em você em cada parte do meu dia, lamentando tudo que deixamos de ser ou fazer, criando falsas esperanças, escrevendo textos desnecessários que não traduzem nem um porcento a falta que você faz. E você… Bem, você já superou.”
“Vai preparada para vê-lo beijando outra. Vai com a finalidade de encher a cara, e esquecer que, um dia, aquela com ele era você.”